Houve inúmeras tropas regulares dos EUA que,
em seu turno no Vietnã, o MAIS PRÓXIMO que estiveram do INIMIGO VIVO e ARMADO foi ouvir de longe os seus apitos / gritos de ordem na mata e ver seus "flashpoints" na "troca de chumbo". Alguns nem isso...

Já um LRRP (Patrulhas de Longo Alcance),
não só via e ouvia rotineiramente as tropas inimigas mas, estavam sempre tão perto que houveram situações em que eram cumprimentados em seus disfarces e até pernoitavam no acampamento inimigo sem serem percebidos. O reconhecimento atrás das linhas é uma missão que envolve complexidades, extrema cautela e sincronismo. A intenção era ficar de olho nas atividades inimigas escondidas, sabotagem, captura, resgate, contra-informação e engano.

Essas unidades faziam a diferença pois a selva densa escondia as operações inimigas do reconhecimento aéreo. O LRRP aprendia a reconhecer os sinais ("assinaturas") da presença do Vietcong (VC) ou do Exército do Vietnã do Norte (EVN), se estavam próximo ou se passaram pelo local. A tropa VC tendia a ser barulhenta e descuidada quando achavam que estavam seguros ou próximos de suas bases. Todavia, dividiam as tropas para ver se estava sendo seguida. Um meio fácil de detectar unidades do Exército do Vietnã do Norte era pelo cheiro da maconha que usavam antes dos ataques.

* Era regra do LRRP não atirar de volta em caso de tiro nas proximidades: o inimigo podia estar fazendo triangulação de sua posição pela resposta de fogo. Por isso, as LRRP sempre evadiam ao 1º disparo. Usavam granadas e fumaça para quebrar contato. Uma missão com sucesso era NÃO entrar em combate com o inimigo e nem deixar saber que estavam presentes. 
* O momento mais crítico costumava ser a inserção e a extração.

* Se você roncava ao dormir não podia ser um LRRP.

* A mentalidade de "SE MOVE, VAMOS ATIRAR!" não tinha vez numa LRRP. Operando atrás das linhas, estavam sempre em menor número (6 elementos), precisavam de apoio externo e agir furtivamente. Os Rangers filipinos no Vietnã calcularam que em 95% das patrulhas foram eles que iniciaram os combates.

* O objetivo nunca era atacar, mas localizar, obter a composição das tropas e o curso da ação inimiga provável, sendo parte do ciclo de "informação-inteligência-ação". Um exemplo de missão bem-sucedida era detectar uma força que se preparava para atacar uma base americana, enviar sua localização (nesses missões usavam rádio), posição e quebrar contato para que o inimigo fosse atacado por uma "força de manobra". 

* Usavam trajes não regulamentares (como ponchos e mochila locais), camuflagem de tiras de tigre (tiger strip) mas, podiam se tornar alvos em contato com helicópteros de RECONHECIMENTO ou ATAQUE pois não tinham rádios para se comunicar com as aeronaves (o VC podia usar os rádios capturados e lançar fumaça para marcar a zona de pouso).

* Usavam sandálias dos VC para cruzar as trilhas e quando usavam roupas desses, chegavam a ser cumprimentados se cruzassem com o inimigo. Todavia, essas roupas eram também um problema na extração em uma zona de pouso "quente" pois o piloto podia confundir se estava sendo atacado ou realmente extraíndo uma unidade LRRP. 

* Para aumentar a furtividade, as meias eram usadas para cobrir itens de metal evitando ruídos, principalmente ao se deslocar. 

* LRRPs não se barbeavam ou tomavam banho no dia anterior da patrulha e usavam roupas lavadas só com água. O uniforme padrão costumava durar apenas por 3 ou 4 missões.