Um tema me deixou muito incomodado nos últimos meses, pois em todas as homenagens ao longo dos anos em comemoração ao aniversário de Brasília, revistas, sites e outros canais de comunicação abrem espaços para a fala de pioneiros empresários da capital, mas nunca abrem espaço para aqueles que colocaram a mão na massa literalmente. Estes, como meus avós, são verdadeiros Candangos Pioneiros de Brasília.

Cobrar um monumento com o nome de cada pioneiro seria uma saída para termos uma digna homenagem? Creio que não, pois na Candangolândia - cidade satélite do Distrito Federal - foi feito algo parecido, mas a maioria dos pioneiro homenageados também são empresários ou pessoas ligadas aos políticos que dominam o eleitorado local. O objetivo deveria ser o reconhecimento e honra das pessoas que foram responsáveis pela construção de Brasília e da sua história e não aqueles que ficavam no frescor do ar condicionado.

Como saber mais sobre as visitas de JK aos canteiros, os conflitos com a GEB, as dificuldades nós alojamentos, as noites na cidade livre, o nascer da Velha Cap e muitas outras histórias, como a fauna, presente na época, os animais que eram comuns nos espaço que deram lugar à pontos importantes de Brasília, além da exuberante flora que aqui podia ser contemplada.

Muitos falam na pluralidade de Brasília e do seu povo, desde a sua formação, mas a mistura de povos de vários estados brasileiros e também imigrantes estrangeiros é deixada de lado para que as histórias dos coronéis da capital seja contada todos os anos de forma cansativa e intensa até que saiam da vida para entrar de fato para a história. Esta, lembrada pela insistência e não pela importância, coragem e espírito Desbravador.

Brasília foi construída por mãos humildes e inaugurada por intelectuais. Os candangos jamais serão lembrados na plenitude do termo. Em um país sem memória, o roubo das indentidade culturais não passa de um mero detalhe!