UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E FILOSOFIA - DCHF

DISCIPLINA: ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO III


MEMORIAL:  OFICINA:

“MÚSICA, TRABALHO, E HISTÓRIA”

 

ELISANGELA ARAÚJO VIEIRA

 Portfólio Acadêmico apresentado

a disciplina Estágio Curricular

III, como requisito para avaliação

da oficina organizada e apresentada. 


FEIRA DE SANTANA

25/09/2019

  

AGRADECIMENTO

Agradeço aos colegas da disciplina Estagio Curricular III, da Universidade estadual de Feira de Santana a grande parceria. Apesar das adversidades, persistimos. Tenho orgulho de ser graduanda desta Instituição e discente da professora de Estágio III.o que muito me ensinaram, pois como bem dizia Paulo Freire: “não há docência sem deiscência, pois, quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”; 



Introdução

 

O presente texto consiste em apresentar as memórias, os percursos, e a elaboração e exposição da “Oficina: Música, Trabalho e História” proposta na disciplina Estágio Obrigatório III e levada aos discentes das turmas de primeiro ano A e B do Colégio Hilda Carneiro.

As leituras, os debates realizados na academia, as dificuldades e conquistas, bem como o envolvimento na proposta a ser levada ao campo determinaram a aquisição de aporte teórico e metodológico. Busca-se refletir como a participação nas aulas subsidiou reflexões no processo de aprendizagem de métodos a serem empregados em campo. Evidenciando, dessa forma, a relação entre as leituras, os objetivos da disciplina e o amadurecimento intelectual que respalda a proposta levada ao Colégio.

Refletir sobre a universidade é um exercício de compreender que esta não é um local físico apenas. Mas, que a sua definição vai além de uma instituição. É necessário levar em consideração os sujeitos que labutam diariamente dentro desse espaço, suas vivências e experiências coletivas ou individuais. Pois, são de pessoas e por pessoas que a universidade é feita e se constitui diariamente em um laboratório de aprendizagens diversas. A universidade, além disso, é um local que deve criar condições para o desenvolvimento do pensamento, da análise crítica, da reflexão, da pluralidade de pensamentos e do debate.

 Na obra “Fazer Universidade: Uma proposta metodológica”, de autoria de Cipriano Luckesi, Elói Barreto, José Cosma e Naidison Baptista, permite enxergar o “anúncio de uma realidade nova, de uma universidade que queremos construir a serviço do homem” (LUCKESI, et. al, 2010, p.14). Tal universidade proposta por esses autores não é mera consumidora de informações voltadas para profissionalizar, mas sim um local onde se cultiva reflexões críticas sobre a realidade, e se constrói conhecimento com bases científicas. Trabalhando com a diacronia (processo) e com a sincronia (contexto), Cipriano Luckesi (2010, p.36) apresenta a universidade através da história para entendermos melhor os fatores que colaboraram para o modelo atual de se fazer universidade. E afirma em um diálogo com Darcy Ribeiro que a universidade atual “tem-se limitado a ser um órgão de repetição e difusão do saber elaborado em outras realidades e que muito pouco tem contribuído para uma integração nacional, consequência de uma análise crítica da nossa realidade” (pg36) pois, o conhecimento, segundo Luckesi, “só evolui se é passível de crise, de questionamento”.  Rejeitamos um modelo de universidade que não exercita a criatividade, não identifica nem analisa problemas concretos a serem estudados, que não incentiva o hábito do estudo crítico. Estudar, nesse modelo, é, simplesmente, ler matéria a fim de se preparar para fazer provas. (LUCKESI, et. al, 2010, p.39). 

Esta crítica ao modelo de universidade que ainda temos hoje permanece pertinente, prova de que pouco conseguiu - se concretizar dessa utopia de um “fazer universidade”. É de certo que ainda temos muito a navegar em busca de uma mentalidade criativa que esteja comprometida com a busca pela verdade. Para isso, a pesquisa se torna algo fundamental. “Todas as demais atividades tomarão significado só na medida em que concorra para proporcionar a pesquisa, a investigação crítica, o trabalho criativo no sentido de aumentar o cabedal cognitivo da humanidade” (LUCKESI, p.41). Desta forma, os autores definem a universidade que desejam: uma universidade que indague, questione, debata, investigue e proponha caminhos e soluções. Uma universidade que forme cientistas habilitados a propiciar meios de superação de estruturas opressoras. “Queremos, enfim, uma universidade onde possamos lutar para conquistar espaços de liberdade. Enquanto pensamos livremente, questionamos livremente, propomos livremente e livremente avaliamos a nossa responsabilidade” (Op. Cit., p.44). A universidade, considerada um local de trocas de experiências, deve, portanto, ser também um espaço que proponha a produção, a pesquisa, a criatividade e que não se limite a refletir sobre ela mesma, mas sobretudo, a pensar o seu externo, a sociedade na qual ela está inserida e proporcione formas de resistência e lutas diante das opressões que nos são impostas. 

A fim de demonstrar que, usufruindo dos espaços criados pela disciplina na academia, como instrumento para refletir sobre história, e a identidade profissional docente, foram produzidas discussões norteada pela observação em sala, levando em consideração as características físicas e geográficas da instituição, além de priorizar - se os sujeitos presentes no contexto, sem esquecer o que afirma Juarez Dayrell no texto A escola como espaço sócio-cultura em que ele reflete sobre as angústias e questões referentes a ensino e aprendizagem em uma escola noturna da rede pública de ensino, para ele, Observar a sala de aula é constatar o óbvio, a “chatice” de uma rotina asfixiante, onde pouca coisa muda. É com essa fala que atentamos ao caráter tradicional presente nos métodos empregados na construção de conhecimento histórico de viés construtivista e que são usados massivamente na escola pública brasileira, ainda que, os profissionais se esforcem em rompê-los.

O cotidiano escolar é marcado por experiências protagonizadas por sujeitos com múltiplas culturas e valores socioculturais diversos. A observação de um espaço ricos em diversidade permitiu atentar a possibilidades de atuação também diversificadas enquanto profissional docente.

Foram definidos critérios para a elaboração dos materiais a serem expostos aos discentes: O slide, o painel, as músicas, os pontos da CLT e da Reforma Previdenciária, sendo esses critérios respaldados no que descreve SCHMIDT e GARCIA que atentam para a eleição de critérios, sendo estes descartados por muitos professores que não se preocupam com o que e levado ao aluno. Seriam eles,

“A forma de conhecimento típico” (sem a participação de aluno), A segunda, “Forma de conhecimento como operação” (conduzir o aluno em determinado conhecimento), e a última “Forma de conhecimento situacional” (Conhecimento envolvendo realidade do aluno), (IBID., pg.2).

 

conhecimento típico foi exemplificado na construção de materiais às serem exposto aos discentes do Hilda, o conhecimento com operação marcado pela condução dos discentes aos conteúdos sobre CLT, Previdência Social e músicas que discutem a questão do trabalho considerando seus conhecimentos prévios, já o conhecimento situacional foi desenvolvido quando a realidade do aluno pode ser exposta no âmbito feirense, baiano e brasileiro.

Em primeiro momento, evidencia - se a experiência em campo e a relevância da mesma para a construção dos materiais expostos na oficina e as contribuições ao pleno exercício da docência. Em segundo momento, problematiza - se os métodos e recursos empregados, com fim de, assegurar a percepção histórica do tema proposto. Por fim, como os resultados alcançados referendaram as expectativas ou apontam a fragilidades a serem corrigidas. Todos esses aspectos ressaltados visando compreender a atuação docente em campo, cientes de que a teoria se distingue da prática.

Reflexões a cerca do componente Estágio Curricular III e a produção da “Oficina: Música, Trabalho e História 

Ao pensar o que é a universidade, qual a sua proposta e ao entender que a mesma não deve se configurar apenas enquanto um local de repetição de conhecimento, mas um espaço de produção e reflexão sobre o mesmo é relevante destacar nele o que representou o Componente Curricular Estágio III e como deve ser inserido no espaço escolar a partir de sua proposta. A ementa de tal disciplina esteve associada a abordagem histórico-historiográfica de temas da história que é discutido nos meios acadêmicos que são atuais e contemporânea. Os textos: Desenvolvimento um conceito de evidência histórica, Em direção a um conceito de literacia histórica, Experiências, interpretação, orientação: as três aprendizagens históricas, História nas atuais propostas curriculares e Facilitando oficinas: da teoria à prática, foram ferramentas úteis ao exercício docente. 

 Nesse sentido, a disciplina também pensou alguns objetivos dos quais cada aula esteve voltada. Lembra-nos que em alguns momentos a professora nos relembrava qual o foco da disciplina e o que cada texto propôs. Na tentativa de construir uma disciplina que pudesse dialogar com os sujeitos presentes e também com a realidade na qual eles/elas estão inseridos/as, o componente curricular objetivou produzir situações de aprendizagens nas quais puderam ser oferecidos meios para que os estudantes pudessem; conhecer criticamente parte da produção historiográfica e documentos históricos. Para por fim, pensar o campo escolar.

Refletir sobre o campo escolar é um exercício de compreender que este não é um local físico apenas. Mas, que a sua definição vai além de uma instituição. É necessário levar em consideração os sujeitos inseridos no espaço, suas vivências e experiências coletivas ou individuais. Pois, se constitui diariamente em um laboratório de aprendizagens diversas. A escola, além disso, é um local que criar condições para o desenvolvimento do pensamento, da análise crítica, da reflexão, da pluralidade de pensamentos e do debate.

Pensar a atuação docente, neste contexto, permite contemplar o que BARCA (2004, p.135) defende como sendo necessário ao pleno exercício da atuação. Na sua aula colóquio ela defende que a docência deve estar atrelada a investigação e ao trabalho com conhecimentos prévios. Essa seria segundo a autora, uma das melhores formas de trabalhar história, sendo útil, até mesmo, em turmas que são classificadas com deficiência de aprendizado, o que não vem a ser o caso. Ela garante que os alunos possuem conhecimentos prévios passíveis de serem trabalhados em sala sem que o professor seja o detentor do saber, do controle e do silêncio. Nesse sentido, na construção da oficina foi necessário empregar métodos que considerassem a pluralidade presente no campo, além de considerar as fragilidades que possui a educação pública brasileira, em especial a feirense.

Foram priorizados os conteúdos pertinentes à faixa etária, os valores prévios que os discentes poderiam nos apresentar, por isso, partimos da questão: “Você trabalha?” indicando o caminho a ser percorrido pela história do trabalho, e das conquistas alcançadas pelos trabalhadores, assim como, das reformas nas Leis Trabalhistas e na concessão de direito previdenciário, alvo de tentativas de modificações, cenário que atualiza - se constantemente.

A escolha das músicas e ritmos levou em consideração o padrão musical que os jovens adolescentes curtem, foram escolhidos autores que evidenciam em suas produções o tema proposto, mas também, que lhes fossem compreensíveis.

Veredas trilhadas na disciplina que subsidiaram a exposição da oficina 

Após apresentar alguns mapeamentos necessários, o presente memorial abrirá espaço para uma narrativa. O que se segue são reflexões sobre os caminhos percorridos durante a disciplina que aqui foi descrita. 

A partir de variadas discussões de textos fazíamos das nossas aulas um lugar onde discutimos e analisamos o Papel da História, o Ofício do professor, o Conceito de História e evidências as dimensões da aprendizagem das quais trabalhamos com autores como: A. Ashby, P. Lee e j. Rusen para compreender conceitos e teoria de História e aprendizagens sendo essas aulas um grande lugar de experiências e aprendizados onde aluno e professor, a partir de suas experiências contavam com leituras de autores que tinha em suas obras conceitos e pesquisas que exploram o conteúdo.

Os conceitos e métodos empregados na oficina, assim como as discussões na elaboração e execução da mesma foram pautados nas discussões acadêmicas preconizadas pela ementa da disciplina.

 Métodos Avaliativos 

A disciplina Estágio Obrigatório III teve alguns métodos avaliativos dos quais alguns serão mencionados aqui. A primeira avaliação no espaço acadêmicos foi marcada pela  discussão dos textos disponibilizados previamente pela docente, a segunda avaliação caracterizou o exercício da práticas docente, em que, a partir das observações que foram feitas no Colégio Hilda Carneiro localizada no bairro Feira V, (onde foram realizadas observações em duplas, neste primeiro momento os alunos foram orientados para observar 10 horas), observamos as turmas de primeiro anos e segundo do ensino médio, para no final destas observações aplicar a Oficina para os alunos com tema “Música, Trabalho, e História” elaborado a partir dos eixos curriculares, Trabalho, Cultura.

A execução da oficina era a concretização do conhecimento adquirido na disciplina, ou seja, o momento de evidenciar na prática o sucesso da proposta elaborada pela docente na academia, e ao mesmo tempo, nos permitia avaliar a qualidade das competências adquiridas, assim como, para os discentes do Colégio Hilda foi a avaliação das produções ao final da oficina.

Aprendizados 

O percurso pela disciplina possibilitou diversos momentos de aprendizados. Aprendizados esses, que não só estiveram dentro da sala de aula, mas que conseguiram sair dos muros da universidade e se fazer presente nas ruas e em outros ambientes. A importância do contato com a oficina de leitura crítica proporcionada pelo docente e as indicações que foram dadas ampliaram a visão sobre os textos e as formas de leitura sobre eles. Conceitos que permitiram uma reflexão do exercício docente na prática na execução da oficina.

Nesse sentido, dentre tantos aprendizados que adquiridos na disciplina, destacou-se o amadurecimento com relação às leituras, escrita, produção de materiais pertinentes ao fazer histórico em sala de aula. A forma de leitura que consigo fazer após o contato com os textos da disciplina e com as experiências de leituras críticas e de uma leitura mais madura e reflexiva da realidade escolar a partir da oficina garante que os medos e anseios sejam insignificantes frente à realização do que nos foi proposto. Não é mais o texto pelo texto. Não é apenas o/a autor/a falando. É todo um contexto que fala junto com ele/ela. É também a minha crítica sobre esse/a autor/a. Ler é um exercício constante, e na presente disciplina essa concepção foi evidenciada com mais evidência. 

Dificuldades 

A disciplina foi dotada de aprendizados e desafios. Desafios estes, que estiveram relacionados a fatores diversos. Um dos desafios que considero foi o de acompanhar o ritmo das leituras. Nos dias que foram programados dois textos ou mais para a discussão, nem sempre conseguiu - se dá conta da leitura. Ou apenas um ou dois, não se conseguiu a totalidades. Essa carga de leitura é de certo modo, necessária a formação enquanto historiadora. Contudo, os percalços encontrados durante a disciplina incidiram sobre o ritmo de leitura e consequentemente não deu conta de todos os textos da disciplina. 

Quanto à execução da oficina as dificuldades foram momentâneas, não consegui manter os discentes totalmente atentos a parte expositiva do slide, liberar um número acima do permitido para sair da sala enquanto se realizava a oficina, além de não conseguir uma colaboração homogênea nas atividades.

Reflexões finais

O que foi o Componente Curricular Estágio III? Certamente, foi uma disciplina que ao propor momentos de debates, leituras e escritas, permitiu refletir sobre a História. Sobre a História enquanto processo que é caracterizada pelos fatos que desencadeiam mudanças. Sobre a História que também é movimento, e por ser movimento, ela não está parada no tempo. Ela se mostra nas veredas trilhadas de que “fazer História é estar presente nela e não simplesmente nela estar representado” (FREIRE, 2011, p. 53). 

História Curricular III também possibilitou repensar sobre minha identidade profissional e minha condição de sujeito crítico. Uma vez que, essa identidade é construída cotidianamente nas relações estabelecidas com as pessoas ao meu redor, com a concepção de mundo que carrego, com minhas bandeiras de luta e a minha forma de enxergar a própria História. Tal disciplina viabilizou a reflexão sobre a importância da prática para o ato de conhecimento.










Referências bibliográficas 

BARCA, Isabel. Aula Oficina: um projeto à avaliação. In. BARCA, I. (org.) Para uma educação histórica com qualidade. Braga: Uminho, 2004, p.131-144.

CERRI, Luís Fernando. Ensino de história e consciência histórica. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2011.

DAYRELL, Juarez. A escola como espaço sociocultural. In: DAYRELL, Juarez (Org.). Múltiplos olhares sobre educação e cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1999. p.25

GARCIA; Tânia Maria F.; SCHMIDT, Maria Auxiliadora. Perspectivas da Didática na Educação Histórica. Cidade: Editora, 2005.

CERRI, Luís Fernando; KUSNICK, Marcos Roberto. Ideias de estudantes sobre a História – um estudo de caso a partir das representações sociais. Cultura Histórica & Patrimônio, v. 2, n. 2, p. x-x, 2014.

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