A Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia de Covid-19 iniciou hoje a terceira semana de depoimentos. A CPI está ouvindo neste momento o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, amanhã o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e na quinta-feira, a secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, Mayra Pinheiro.

O ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, está sendo ouvido desde às 9h00 da manhã. O requerimento de convocação foi apresentado pelos senadores Marcos do Val (Podemos-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que buscam explicações sobre a condução da diplomacia brasileira durante a crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19.

Não muito distante dos holofotes da CPI, a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou à CPI da Pandemia investigações em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) referentes a eventuais irregularidades no combate à Covid-19. As investigações citam os governadores do Amazonas, Wilson Lima (PSC); da Bahia, Rui Costa (PT); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); do Pará, Helder Barbalho (MDB), e de São Paulo, João Doria (PSDB). O ofício é assinado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, e endereçado ao presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM).

Outras frentes de investigação são comuns em uma CPI, por este motivo, um grupo de oposição ao governo na CPI da Pandemia quer aprovar, ainda nesta semana, a quebra de sigilos telefônico e telemático do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). O objetivo é tentar traçar um mapeamento de suposto assessoramento paralelo ao presidente na gestão na pandemia. A medida passou a ser discutida internamente por opositores ao presidente na CPI depois de o CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, afirmar que Carlos Bolsonaro participou de uma única reunião do governo para tratar da negociação de vacinas, mas a medida não deve prosperar no plenário da comissão.

O depoimento do ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, segue na CPI do senado, mas o curioso é que a placa que aponta o número de mortos só aparece na mesa do Senador Renan. Será que a falta dela na mesa do presidente da comissão se trata de uma mensagem subliminar em apoio ao governo? Quem sabe! O fato principal é que o governo está pronto para fazer com que Renan caia do cavalo ao ter que se aproximar de uma ilegitimidade e parcialidade quando as investigações tratarem do seu próprio filho.

Pouca água deve rolar no filete de água que passa embaixo da ponte da CPI, uma comissão cada vez mais odiada pela população brasileira, mas que parece ser a menina dos olhos dos opositores ao governo.