A quarta semana de depoimentos na CPI da pandemia continua movimentando o Senado Federal e a imprensa. Mas em nossa percepção, o dia (27/5) ficará marcado pelos detalhes. A fala do Diretor Dimas Covas foi contundente em alguns momentos, mas a movimentação dos senadores chamam mais a atenção, mas isso deixaremos para o final. 

Em meio ao clima quente da CPI, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, apresentou alguns documentos que em tese comprovariam um suposto atraso do governo federal na compra de vacinas Coronavac. O diretor também falou sobre uma suposta falta de investimentos do governo federal na fabricação da vacina, mas desmentido na comissão, desvalorizou o comprovado repasse do governo federal ao instituto. Embora seja cientista e não um gestor público, Dimas Covas muito opinou sobre a suposta falta de repasse financeiro do governo federal, e ainda comentou com menos furor os repasses federais comprovados por senadores e que foram utilizados para restituir o instituto. 

Voltando ao nosso dilema apresentado no início, os senadores viram que Dimas Covas foi tratado com ampla defesa não só pelos advogados que o assessoram, mas também pela defesa da presidência da CPI e do Relator que pouco questionou o inquirido. 

Por diversas vezes foi possível observar uma defesa desproporcional e o desvio da função do presidente da comissão ao comentar os posicionamentos de senadores governistas tal como um analista político. O tom de desprezo e o forte apoio ao discurso oposicionista tem sido notado e comentado por senadores nos bastidores. "Por muitas vezes precisamos lembrar o presidente de sua conduta irregular durante os trabalhos da comissão", disse um senador desconfortável com a corriqueira situação.

A CPI parece caminhar para o final esperado por senadores oposicionistas, mas a apresentação de um "voto em separado" promete movimentar os bastidores da comissão, pois o voto deverá fazer parte de um pacote de articulações que será apresentado aos senadores menos convictos.

Como ficará a CPI? Mistério para o povo, mas com final já previsto em nossa percepção.