Ontem (19/5) os discursos foram amenos e recheados de respeito ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, sua firmeza e contundência nas respostas fez com que o depoimento fosse muito comemorada pelo Planalto, mas hoje, quinta-feira (20/5) os senadores de oposição tiraram o dia para alinhar os discursos voltados para sua base eleitoral e tentam a todo momento agravar as acusações contra ex-ministro com poucas perguntas e mais falas veementes.

Em uma manobra para descredibilizar e tentar manipular aqueles que assistem a transmissão, os senadores oposicionistas engrossaram o tom contra o general, após a avaliação de que o ex-ministro teria “ditado o ritmo” do depoimento da véspera e “foi arrogante” em algumas respostas. A sessão desta quinta foi aberta com forte discurso político do senador amazonense Eduardo Braga (MDB), que não poupou acusações diretas ao ex-ministro, outros senadores também apelaram para os discursos comoventes ao perceberem no semblante do ex-ministro a verdade estampada. 

"É claro que querem utilizar a CPI para julgar e condenar o presidente. Os senadores estão tentando encontrar alguma brecha para capturar o presidente." Esta é uma fala constante nos corredores da comissão, enquanto na avaliação do Planalto, o desempenho de Pazuello na véspera foi visto como “excelente”. Ele “depôs com autoridade de ministro e de general”. Para o advogado e auxiliar da equipe de defesa Zoser Hardman, o ex-gestor da Saúde adotou “a postura correta”, “dominou o depoimento, como tem de ser”. Para os senadores, Pazuello cumpriu a missão de falar a verdade, negaando a suposta determinação presidencial para não comprar a Coronavac. Segundo o ex-ministro, embora Bolsonaro tenha declarado publicamente que cancelaria a compra da vacina de fabricação chinesa, jamais formalizou a ordem ao Ministério da Saúde e a não confirmação dessa informação está mexendo com a paciência e com os nervos de alguns senadores, principalmente com o relator e o vice-presidente da comissão.

Diante do ambiente mais acalorado do segundo dia e constantemente sem a presença do presidente da sessão, Omar Aziz (PSD/AM), os senadores governistas reforçaram a defesa ao General Pazuello, desta vez, tocando na ferida da oposição e trazendo à discussão o desempenho dos governadores na gestão da crise sanitária, e que até ontem pouco havia sido abordado sobre o tema. O senador Marcos Rogério (DEM/PR) exibiu vídeos de governadores, admitindo o uso e fazendo estoque e envio de remessas da hidroxicloroquina para várias cidades do estado como forma de tratar ou prevenir contra a Covid-19. Ao mostrar o vídeo, outros senadores reagiram de forma ríspida e desesperada ao perceberem a repercussão negativa da propagação dessa informação em suas bases. A web não perdoa e os vídeos podem ser facilmente encontrados na internet.

Neste segundo dia de depoimento e debates o General tem apenas assistido as longas falas dos senadores. A discussão continua e cansados os senadores acabaram por baixar o tom novamente. A estratégia entre governistas é falar e mostrar a verdade utilizando todos os recursos disponíveis, mas a oposição tenta imputar ao ex-ministro a responsabilidade por todas as mortes, fazendo com que os governistas travem o debate político, para poupar o general de uma leviana desmoralização, além de evitar que oposicionistas controlem a sessão.

A ordem da vez é bater na mesma tecla... "Um manda o outro obedece" fala utilizada para formular várias perguntas ao ex-ministro durante a oitiva, mas não vemos um inquiridor fazer as seguintes perguntas; e o recurso oferecido aos Estados? Quem mandou? Quem não obedeceu? Onde foram aplicados? Como foram gastos? Será que irão convocar cada um dos governadores? Veremos.