Quem assiste filmes e séries já ouviu falar em "THE PURGE", mas muitos não sabem que na vida real já tivemos um episódio que pode ser considerado um ato muito semelhante ao filme (guardadas as proporções). Claro que as atrocidades que serão relatadas nesse artigo são abomináveis e totalmente repulsivas, mas a história precisa ser contada, seja ela boa ou ruim.

A purga legal alemã ocorreu após a liberação dos territórios ocupados pelos alemães dos países europeus, onde milhares de mulheres que mantinham relacionamentos com soldados alemães foram expostas a execuções humilhantes e brutais nas mãos de seus próprios concidadãos. Era a “Épuration Légale” (“purga legal”), a onda de julgamentos oficiais que se seguiu à liberação da França e da queda do Regime de Vichy. Estes julgamentos foram realizados em grande parte entre 1944 e 1949, com ações legais que perduraram por décadas depois.


A campanha para identificar e massacrar as supostas colaboracionistas do regime alemão puniu cerca de 30.000 mulheres com humilhação pública, muitas vezes motivada por simples suspeitas de que tiveram alguma ligação com soldados alemães, seja por prostituição ou algum tipo de relacionamento amoroso.

Em outra frente estavam as mulheres que eram denunciadas por outras mulheres alemãs, estas, denunciadas por mero desentendimento e briga entre vizinhas, utilizando a denúncia como uma espécie de acerto de contas e vingança contra uma rival. As denúncias infundadas não paravam por aí, pois vinham também de verdadeiros colaboracionistas alemães ativos, que ao fazer uma denúncia tentavam salvar sua pele desviando a atenção de sua cooperação com as autoridades da ocupação.

O chocante é que de alguma forma muitas mulheres tiveram algum tipo de relacionamento com os soldados e oficiais alemães e humanamente os grupos contrários não poderiam imputar a elas culpa por seu relacionamento.

A história apresenta mulheres que foram reféns de um estado ocupado, sendo cruelmente agredidas, torturadas e mortas. Aqueles que sentiam na carne os horrores da guerra, descontaram sua ira em mulheres inocentes, tal como carrascos ante criminosos. Ainda se houvessem indícios de colaboração, nada justifica o terror imposto, por meio de cabeças raspadas e posterior exposição pública como desgraça de uma nação destruída pela guerra. Essa pena poderia ser considerada branda se observarmos que outras eram despidas, abusadas, e tinham desenhada a suástica em seus rostos, outras tantas eram marcadas a ferro em brasa em sua testa.

Estas mulheres foram reconhecidas injustamente como “nacionalmente indignas” e sofreram absurdos e degradante humilhação pública. Depois de tudo, quando não morriam em consequência das torturas impostas, sofriam com penas de seis meses a um ano de prisão, seguida da perda total de direitos civis por mais um ano. Muitas eram violentadas nas prisões e nas ruas, além de sofrerem insultos por onde quer que fossem. Um número absurdo de mulheres não suportou a vergonha sucumbindo ao ato de suicídio.