A CPI da Covid-19 ou CPI da pandemia, esta tem dado muito “pano pra manga” desde sua instalação no senado federal, onde o autor da comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) comemorou o nascimento do instrumento de investigação que chega para "julgar"  o presidente da república tal como um ensaio para um eventual processo de impeachment.

Com a escolha tendenciosa para a relatoria da CPI, não será preciso um diploma em ciência política para concluir que o presidente da república está duplamente em risco. Conseguimos enxergar durante o lançamento da comissão um discurso inflamado de um ex-líder político e derrotado nas eleições para a presidência do senado federal, o mais perfeito perfil político fisiológico brasileiro. Os brados por justiça e a conta matemática inexata citando as baixas entre os pracinhas da FEB, são mostras do que virá pela frente. Se o presidente ceder ao fisiologismo do relator da comissão, certamente terá vendido sua alma ao diabo, mas se enfrentar o relator com coragem e resignação, verá seu mandato encerrado dramaticamente pela chegada de um processo de impeachment. O presidente até tentou manter-se afastado da velha política, mas foi encurralado pelo pior vírus que contamina a república. O fisiologismo!

Se você não faz ideia do que está acontecendo, a CPI da COVID-19 é uma comissão parlamentar de inquérito em andamento no Senado Federal brasileiro, e que investiga supostas irregularidades nos gastos de verbas públicas destinadas a saúde, além de supostas omissões do governo federal durante a pandemia de COVID-19 no Brasil na esfera federal. Ela foi criada em 13 de abril de 2021 e oficialmente instalada no Senado Federal em 27 de abril de 2021.

Conheça alguns detalhes da biografia do Relator – Senador Renan Calheiros

O escândalo de Renangate - Manifestantes caracterizados como presidiários protestam diante do Congresso Nacional contra a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros. Um conjunto de denúncias de corrupção atingindo Renan Calheiros ocupou as manchetes da imprensa brasileira em 2007. O caso foi chamado de Renangate, neologismo aludindo ao escândalo do Watergate e outros que usaram a mesma terminação-gate. A crise começou em 25 de maio, com a circulação da notícia sobre o pagamento da empresa Mendes Júnior à ex-amante de Renan, e perdurou até 11 de novembro, quando ele renunciou à Presidência do Senado.

As denúncias começaram com a revelação, em reportagem de capa da revista Veja, de que a empreiteira Mendes Júnior pagava 12 mil reais por mês à jornalista Mônica Veloso. Segundo a revista, Mônica havia sido amante de Renan e tivera um filho com ele. A partir de então, uma sequência de denúncias na mídia relatou: a compra de rádios em Alagoas, em sociedade com João Lyra, em nome de laranjas; o ganho com tráfico de influência, junto à empresa Schincariol, na compra de uma fábrica de refrigerantes, com recompensa milionária; o uso de notas fiscais frias, em nome de empresas fantasmas, para comprovar seus rendimentos; a montagem de um esquema de desvio de dinheiro público em ministérios comandados pelo PMDB; e a montagem de um esquema de espionagem contra senadores da oposição ao governo Lula. Ao todo, houve seis representações no Conselho de Ética do Senado do Brasil, por seus pares, pedindo a cassação de Renan. Sob pressão do público, Renan desistiu da presidência, embora sem abandonar o mandato. O senador foi absolvido de todas as acusações (quebra de decoro parlamentar, ter despesas pagas por lobistas de empreiteiras e de ter praticado tráfico de influências) e as denúncias e processos foram arquivados.

Durante o período, analistas políticos se acusaram mutuamente. Alguns, de manipular o público em prol dos partidos de oposição, PSDB e DEM; outros, de defender o Governo, de cuja base de apoio Renan faz parte.

Em 19 de fevereiro de 2016, O Supremo Tribunal Federal (STF) recebe um novo pedido de investigação contra Renan Calheiros. O caso tramita em segredo de justiça e teve relação com a denúncia, feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR), existente na Corte sobre suposto recebimento de propina, para pagamento de despesas pessoais do parlamentar, da construtora Mendes Júnior para apresentar emendas que beneficiariam a empreiteira. O novo procedimento de investigação encaminhado ao STF, desta vez, apura as práticas dos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. A suspeita é de fraude contábil e tributária. A apuração será examinada pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator do caso na Corte, mas que já tem quase 2 mil páginas existentes com base em uma "notícia de fato" sobre o caso. A PGR quer investigar uma movimentação financeira de 5,7 milhões de reais ligada ao presidente do Senado supostamente incompatível com a renda do parlamentar.

Réu por peculato - Em 1º de dezembro de 2016, oito dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal aceitaram a denúncia e Renan Calheiros virou réu em um ação penal pelo crime de peculato. A denúncia contra Renan surgiu em 2007, em caso revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo. Renan foi acusado de ter recebido propina de um lobista da empreiteira Mendes Júnior para apresentar emendas parlamentares que favorecessem a empresa. O dinheiro recebido seria utilizado para pagar as despesas da jornalista Mônica Veloso, ex-amante do senador, com quem ele teve uma filha fora do casamento.

No mesmo dia, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Claudio Lamachia, defendeu o afastamento imediato do presidente do Senado, após ter virado réu por peculato. Em comunicado, Lamachia diz que "não se trata aqui de fazer juízo de valor quanto à culpabilidade do senador Renan Calheiros, uma vez que o processo que o investiga não está concluído". Para o presidente da OAB, o pedido de afastamento de Renan Calheiros “trata-se de zelo pelas instituições da República”. Além da OAB, outras entidades como a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e a Associação de Magistrados do Brasil (AMB) defendem o afastamento do senador para não comprometer o funcionamento do Congresso Nacional.

Operação Lava Jato - Durante as investigações do mega escândalo de corrupção da Petrobras, pela Operação Lava Jato, Renan foi citado pelo ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, que aderiu à delação premiada. Paulo Roberto Costa contou à Justiça, no Paraná, que o peemedebista é um dos beneficiados pelo esquema. Paulo Roberto declarou que “os pagamentos” repassados feito ao senador “excederam o teto da cota repassada ao PT, PMDB e PP”, partidos que indicavam os diretores da empresa. Ele frisou que a propina superou os 3% para que “fosse incluído um valor para Renan”.

No início de 2015, o engenheiro Shinko Nakandakari – operador de propina em nome da Galvão Engenharia – como o doleiro Alberto Youssef afirmaram em suas delações que houve pagamento de propina nas contratações da obra de Refinaria Premium I, em Bacabeira, no Maranhão. De acordo com Youssef a licitação da terraplanagem ocorreu entre 2010 e 2011 “sendo acertado que as vencedoras seriam a Galvão Engenharia, Serveng e Fidens”. Ele afirmou que “ficava sabendo antecipadamente” o nome das empresas que ganhariam as licitações.

Em dezembro de 2015, o ministro do STF, Teori Zavascki, autorizou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Renan Calheiros suspeito de envolvimento em fraudes na contratação do consórcio Estaleiro Rio Tietê pela Transpetro em 2010.

Em 2 de junho de 2016, foi divulgado por autorização do STF os depoimentos da delação premiada de Nestor Cerveró na Lava Jato. Cerveró afirmou que, em 2012, o senador Renan Calheiros o chamou em seu gabinete no Senado para reclamar da 'falta de propina'.

Em dezembro de 2016, Renan foi citado em delação de um ex-funcionário da Construtora Odebrecht, Claudio Melo Filho. Segundo Claudio, Romero Jucá se aliou Renan foi para defender abertamente os interesses do grupo Odebrecht. Em 2014 para aprovar a Medida provisória 651, de 2014, que ficou conhecida como “pacote de bondades”, Jucá atuou sem ser sequer acionado pela empreiteira. Agiu movido pela “certeza de que receberia pagamentos a pretexto de contribuição de campanha”. Com base nessa convicção, logo que a MP 651 começou a tramitar, Jucá apresentou quatro emendas de interesse da empresa e atuou junto ao governo para que o texto, quando chegasse ao Palácio do Planalto, não fosse vetado.

Pedido de prisão - Em 7 de junho de 2016, o Procurador-Geral da República pediu a prisão de Renan Calheiros, juntamente com a do senador Romero Jucá e do ex-presidente José Sarney. De acordo com o PGR, eles tentaram mudar a decisão do Supremo que prevê a prisão de condenados a partir da segunda instância e que planejaram mudar a lei, para permitir delação premiada apenas para pessoas em liberdade, e não para presos investigados e também para pressionaram para que acordos de leniência das empresas pudessem esvaziar as investigações.

Operação Zelotes - Em final de abril de 2016, a relatora da Operação Zelotes, ministra Cármen Lúcia do Supremo Tribunal Federal, abriu inquérito para apurar suposto envolvimento do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do senador Romero Jucá, com a venda de emendas a medidas provisórias relacionadas ao setor automotivo editadas pelo governo federal. Renan e Jucá já são investigados em outros inquéritos da Operação Lava Jato por envolvimento com fraudes na Petrobras. É o 12º inquérito que Renan responde no STF, sendo nove na Lava Jato.