Cartas que não haviam sido lidas por mais de 300 anos foram um dia dobradas, seladas e lacradas na Europa, entre os séculos XVII e XVIII, mas só agora tiveram seu conteúdo finalmente revelado, devido ao avanço e uso de tecnologias.

Como o papel centenário é extremamente frágil, qualquer tentativa de abertura poderia simplesmente destruir as mensagens. A solução foi desdobrá-las virtualmente. Para isso, cientistas usaram uma combinação de imagens de raios-X (empregados em diagnósticos odontológicos) e o estudo de algoritmos.

O lacre das cartas não foi rompido e elas não foram danificadas de nenhuma forma durante os procedimentos, assim, preservando, todo o teor histórico e cultural. Até então, a única maneira de ler as mensagens seria rompendo os lacres. A equipe de pesquisadores examinou um baú dos "correios" da época, cheio de cartas não entregues aos destinatários, que foram enviadas de toda a Europa para a cidade de Haia, na Holanda, entre 1680 e 1706. A Coleção Brienne, como ficou conhecida, por conter 2.600 correspondências, das quais 600 nunca foram abertas. Destas, já foi possível ler uma na íntegra e obter o conteúdo parcial de várias outras. A carta totalmente decifrada data de 31 de julho de 1697. Jacques Sennacques, um profissional jurídico de Lille, na França, solicitava uma certidão de óbito de Daniel Le Pers. Até agora, os historiadores sabiam apenas o nome do destinatário, não o teor da mensagem.

Para conseguir a leitura das correspondências, os pesquisadores digitalizaram as cartas, dobradas, usando um equipamento de raios-X de alta resolução e sensibilidade, desenvolvido para pesquisas odontológicas do conteúdo mineral de dentes. Primeiro, eles criaram uma reconstrução 3D dos objetos e das palavras, escritas com tintas à base de metais. Depois, recorreram a um algoritmo para detectar as camadas individuais de papel, analisando a espessura das linhas de vinco, pois quanto mais grosso, mais camadas envolvidas. Assim, recriaram a sequência das dobras e planificaram a carta no computador.

Fonte: revista Nature e tilt/UOL