Os protestos, que se iniciaram devido ao assassinato de George Floyd nos EUA, ganharam ao longo dos dias um capítulo dramático que vai além da contestação da violência policial contra a população negra nos Estados Unidos e do mundo.

A marcha global contra o racismo voltou suas forças contra estátuas, bustos e afins. Tudo em busca de uma reinterpretação e revisão das estruturas herdadas do período colonial de várias nações.

Em meio ao atual debate sobre o papel da memória na sociedade moderna, os jovens resolveram escrever um novo capítulo da história mundial que chamaremos de "a queda das estátuas".

A busca por uma nova versão de justiça histórica vem exterminando estátuas e bustos de figuras que foram de alguma forma beneficiadas com o ofício escravagista no passado.

Sabemos que a grande maioria das estátuas dedicadas a figuras polêmicas da civilização ocidental, como os confederados norte-americanos, Cristóvão Colombo e o rei belga Leopoldo II, caíram dos pedestais culturais que ocupavam para ocupar o fundo dos rios, lagos ou simplesmente a destruição total.

Muitos historiadores não sabem para onde estas contestações "legítimas" levarão o homem, nem ao menos se chegarão ao Brasil.

Sabemos que nenhuma verdade histórica pode perseverar sem ser em algum momento questionada. A preocupação com o patrimônio histórico não pode ser confundido com apologia aos atos escravagistas e racistas de ontem e de hoje. O papel do historiador é preservar a memória, mesmo sabendo que esta não lhe oferece uma visão tão honrada do passado.

Retirar as estátuas de uma forma marginal e vandalizando um determinado monumento, não oferece justiça aos povos escravizados e nem diminuirá o racismo. O homem que se revolta contra a história passada perderá o elo que o fará lembrar de sua trajetória, seja boa ou ruim.

Não devemos cometer os erros do passado, devemos olhar para o futuro com esperança e zelo, preservando as memórias, os monumentos e estátuas.

A história não questiona a legitimidade da queda das estátuas, ela questionará um dia o modo como tudo ocorreu. Que as próximas estátuas possam ser retiradas e devidamente guardadas em museus contado a história (biografia) completa de cada indivíduo sem o romantismo e heroísmo exacerbado que contaminam as biografias históricas. Assim como o museu do holocausto preserva a memória daqueles que foram vítimas do nazismo, a história deve preservar outras fontes históricas mundiais.