Toda as vezes em que o tema é discutido novas polemicas e opiniões vão surgindo em torno dele. A inclusão da comunidade negra nas universidades brasileiras é legitima, mas devemos conhecer as verdades e os mitos que são envolvidos quando tocamos neste assunto tão sensível.

A COTA RACIAL EM UNIVERSIDADES GERA ÓDIO OU RACISMO?

É MITO! Que as cotas estimulam o ódio racial.

É VERDADE! Que uma pesquisa feita em quatro universidades federais chegou à conclusão que 90% dos professores entrevistados afirmam que as cotas não estimulam o racismo.

A EVASÃO É ALTA ENTRE OS COTISTAS?

É MITO! Os cotistas não largam a universidade no meio do caminho pelo simples fato de ser cotista. O índice de evasão entre cotistas é proporcionalmente menor em comparação com outros beneficiados com vagas nas universidades federais.

É VERDADE! No prestigiado curso de medicina da Uerj, a evasão entre cotistas e não cotistas é similar. Em 2014, 94 candidatos a médicos passaram no vestibular da universidade. Entre eles, 43 cotistas. Em 2010 86 se formaram e só oito desistiram do curso: quatro cotistas e quatro não cotistas.

AS COTAS COMPROMETEM O NÍVEL DE ENSINO?

É MITO! Talvez um dos mitos mais cruéis, pois as cotas raciais não comprometem o nível de ensino e nem degradam o currículo das universidades. O que deve ser afastado das universidades são as pautas militantes que acabam sendo incorporadas de forma sutil aos currículos das universidades.

É VERDADE! Que estudos mostraram que o desempenho dos cotistas é muito parecido com o de não cotistas. Em alguns casos, até superior. A Uerj comparou a performance acadêmica dos estudantes em um período de 5 anos. Os cotistas negros tiraram em média, nota 6,41. Os não cotistas alcançaram resultado ligeiramente menor 6,37. Na Unicamp, os alunos que ingressaram na universidade por meio de um programa parecido com o de cotas (e que estimulou a inclusão de negros) superaram seus colegas que não tiveram esse benefício em 33 dos 64 cursos oferecidos.

EXISTE DISCREPÂNCIA ACENTUADA DE PONTUAÇÃO NO VESTIBULAR DE COTISTAS EM COMPARAÇÃO COM NÃO COTISTAS?

É MITO! Que a pontuação dos alunos aprovados como cotistas seria muito menor do que a pontuação dos candidatos aprovados pelo sistema tradicional. Também engloba o mito a afirmação de que candidatos que tiveram notas muito mais altas do que os cotistas ficariam fora.

É VERDADE! De acordo com as universidades existe uma diferença entre a pontuação dos não cotistas barrados e os cotistas, mas esta é mínima. Segundo dados do sistema de seleção unificada (Sisu), em 2013, as cotas favoreceram 36 mil estudantes de universidades federais. Em medicina, o curso mais concorrido do Brasil, a nota de corte dos cotistas foi de 161,67, enquanto para os não cotistas a nota de corte foi de 187,56. Isso nos mostra uma diferença de 25,9 pontos ou 3%. Tecnicamente aceitável, mas ainda assim alvo de muitas criticas por parte de candidatos não cotistas.

Os dados apresentados são sérios e consistentes. Devemos lembrar que as cotas são necessárias e legitimas. Aceitar os métodos ditados pela lei é uma obrigação de todos os candidatos.