A Abolição da Escravatura foi o acontecimento histórico mais importante do Brasil após a Proclamação da Independência, em 1822. No dia 13 de maio de 1888, após seis dias de votações e debates no Congresso, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que decretava a libertação dos escravos no país.

Sobre este dia, Machado de Assis escreveu anos depois na coluna “A Semana”, no jornal carioca Gazeta de Notícias: “Verdadeiramente, foi o único dia de delírio público que me lembra ter visto”.

O PAPEL DA PRINCESA NO PROCESSO DE ABOLIÇÃO - Historicamente, a princesa Isabel foi tida como uma grande personalidade nacional por ser uma grande humanista que garantiu o fim do trabalho escravo no Brasil. Essa imagem vem sendo desconstruída pelos movimentos de esquerda do país e por historiadores convergentes com a ideologia esquerdista. Estes, estão tentando reescrever a história e mudar o papel da princesa no processo de abolição.

O primeiro ponto a ser mencionado em defesa da princesa é que a abolição do trabalho escravo foi resultado da personalidade humanista da princesa em conjunto com movimentos abolicionistas. A princesa chancelou e assinou o documento em questão por estar na posição de governante da nação, uma vez que, D. Pedro encontrava-se em viagem. D. Pedro deu a filha de forma proposital uma chance de assumir o protagonismo e mostrar ao povo sua capacidade em tomar grandes decisões, preparando de fato a princesa para assumir o trono (fato que nunca aconteceria por conta da proclamação da república no ano seguinte).

A história, por exemplo, nos oferece o fato em que ela abrigou escravos em sua residência e que apresentou seu posicionamento favorável a abolição. É claro que a postura da princesa vai além da personalidade humanitária, pois estava sendo preparada para assumir politicamente o país.

Não foram poucas as vezes em que, a princesa foi vista portando camélias – símbolo da causa abolicionista naquela década – e existem escritos dela em que há o posicionamento dela pelo fim do trabalho escravo, além de ter tido um desentendimento sério com o Barão de Cotegipe, presidente do Conselho de Ministros do Brasil e um escravocrata ferrenho.

DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA - A escravidão no Brasil foi amplamente documentada pelos fotógrafos do século XIX. Contribuíram para isto o fato de ter a fotografia chegado cedo ao país, em 1840, sendo o imperador Pedro II um grande entusiasta de fotos e novas tecnologias. O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravatura, em 1888. Por cerca de 350 anos, o Brasil – destino de 4,5 milhões de escravos africanos – foi o maior território escravagista do Ocidente, mantendo este sistema tanto no campo como na cidade – o lugar de trabalho era o lugar do escravo. Muitas vezes o objetivo das fotografias não era a denúncia e sim o estético ou, ainda, o registro do exótico.

O regime escravagista não passou despercebido por muitas lentes leigas que não sabiam a envergadura dos documentos históricos que estavam registrando. É fácil encontrar em uma simples pesquisa fotos de escravos em situações de trabalho, em momentos de descanso ou mesmo em poses obtidas em estúdios. Dentre os principais fotografos estão Alberto Henschel, Augusto Riedel, Augusto Stahl, George Leuzinger, João Goston, Marc Ferrez , Revert Henrique Klumb, além de muitos outros anônimos.