Existem expressões muito conhecidas na língua portuguesa, as quais foram sendo transmitidas de geração para geração. No entanto, o que muitas pessoas desconhecem, é que algumas delas já perderam suas formas originais, sendo substituídas por outras. Isso acontece porque, muitas vezes, as pessoas acrescentam ou retiram parte das mensagens que ouvem, transformando-as completamente diferentes do real sentido e impondo uma desconstrução linguística ao nosso idioma, alguns podem descordar e chamar de evolução linguística, mas prefiro o termo desconstrução linguística. Com o passar do tempo, as novas formas se estabeleceram, modificando o sentido da expressão original. Veja algumas das expressões desconstruídas com o passar do tempo:

BATATINHA...
Expressão desconstruída:
Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.

Expressão original:
Batatinha quando nasce, espalha rama pelo chão.
O famoso tubérculo possui uma rama que se espalha pelo chão ao crescer.

QUEM NÃO TEM CÃO...
Expressão desconstruída:
Quem não tem cão, caça com gato.

Expressão original:
Quem não tem cão, caça como gato. (Fazendo referência ao ato de caçar sem companhia, como faz o gato.)

COR DE BURRO...
Expressão desconstruída:
Cor de burro quando foge.

Expressão original:
Corro de burro quando foge.
O burro, quando enraivecido, é muito perigoso. Nesse contexto, a frase original tinha sentido: “Corra do burro quando ele foge”. A tradição oral foi modificando a frase, e a palavra “corra” foi transformada em “cor”. Com a mudança, um novo sentido foi atribuído a esse dizer popular

BICHO-CARPINTEIRO...
Expressão desconstruída:
Esse menino não para quieto, parece que tem bicho-carpinteiro!

Expressão original:
Esse menino não para quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro. (Fazendo referência ao ato de mexer-se demais.)

CUSPIDO E ESCARRADO...
Expressão desconstruída:
O menino é cuspido e escarrado o pai

Expressão original:
Esculpido em Carrara
Acabou ganhando o significado de quer o menino é muito parecido com o pai. Mas originalmente se dava pela semelhança das estatuas esculpidas em Carrara com a pessoa que era alvo da homenagem.

QUEM TEM BOCA...
Expressão desconstruída:
Quem tem boca vai a Roma

Expressão original:
Quem tem boca vaia Roma
Originalmente, o provérbio era “Quem tem boca vaia Roma”, do verbo vaiar. Neste caso, não somente a expressão como seu significado sofreram alterações com o passar do tempo. Na época do imperador romano Júlio Cesar, ninguém podia contrariar sua opinião. Portanto, a plebe e os escravos acreditavam que a cidade de Roma merecia vaias por causa de seu imperador. Com o tempo, o dito foi sendo alterado em função do que o povo ouvia, até mudar totalmente o sentido se fixando como “Quem sabe se comunicar vai a qualquer lugar.”

PÉ NA JACA...
Expressão desconstruída:
Enfiou o pé na jaca

Expressão Original:
Enfiou o pé no jacá
A origem dessa expressão remonta aos tempos em que os bares tinham, na parte da frente, cestas com legumes e frutas para serem vendidos. Essas cestas tinham o nome de “jacá”. Quando uma pessoa bebia demais, ficava de pileque, saía cambaleando e enfiava o pé no jacá, pois não percebia a presença dele. Por isso, a expressão “verdadeira” era “Enfiou o pé no jacá”. À medida que essa expressão foi sendo usada e apropriada pelos brasileiros, passando de boca em boca, foi modificada para “jaca”.