O regime militar sempre foi tratado como uma espécie de "golpe" dado por militares brasileiros. A desconstrução de um dos maiores serviços prestado ao Brasil parece ter chegado ao fim com a volta de um militar ao poder, curiosamente em um momento muito parecido com aquele que culminou no Regime Militar iniciado em 1964, uma vez que, as instituições também encontravam-se aparelhadas em favor corrupção e em desfavor da nação.

Nosso texto apresenta a realidade dos fatos de forma compilada e bastante dinâmica.

O QUE É “REGIME MILITAR”- O período que vai de 1964 a 1985, onde o país esteve sob controle das Forças Armadas Nacionais (Exército, Marinha e Aeronáutica).

FORMATAÇÃO DO PODER CONSTITUÍDO - Neste período, os chefes de Estado, ministros e indivíduos que ocupavam os principais cargos do  estado, pertenciam à hierarquia militar, sendo que todos os presidentes do período eram generais do exército.

COMO ERA DENOMINADO O REGIME MILITAR POR AQUELES QUE O QUERIAM?  Mesmo sendo chamado de “Contrarrevolução” é correto afirmar que se tratou de uma  "Revolução" por parte dos militares. Denominada de “Revolução de 1964”.

Contrarrevolução: Uma contrarrevolução é um movimento que geralmente ocorre em contraposição a uma revolução, podendo ser de caráter religioso, cultural, econômico ou político.

Revolução: É uma mudança abrupta no poder político ou na organização estrutural de uma sociedade que ocorre em um período relativamente curto de tempo. O termo é igualmente apropriado para descrever mudanças rápidas e profundas nos campos científico-tecnológico, econômico e comportamental humano.

COMO NASCEU O REGIME MILITAR E QUAIS ERAM SEUS OBJETIVOS Os formadores de opinião e a maioria do povo brasileiro via o cenário político do início dos anos 60 como corrupto, viciado e alheio às verdadeiras necessidades do país naquele momento. Entregar a nação aos militares era interpretado como um gesto saneador da vida social, econômica e política do país, livrando a nação da ameaça comunista e alinhando-a com a mentalidade das nações mais desenvolvidas do mundo, trazendo de volta a paz e a ordem social ao Brasil, pois os militares eram parte da única instituição que ainda contava com a confiança de todos os brasileiros.

ANTES DO REGIME MILITAR- Os fatos que iriam saturar o país e abririam as portas da nação para o Regime Militar são encontrados ainda no período “Vargas”, mais precisamente durante o período em que chamamos de Estado Novo.  Getúlio Vargas foi deposto em 29 de outubro de 1945, por um movimento militar liderado por generais que compunham seu próprio ministério e que pôs fim ao Estado Novo.

Getúlio foi substituído pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, porque na Constituição de 1937 não existia a figura do vice-presidente. Os militares foram os responsáveis pelo fim do Estado Novo em 1945.

Mas o contingente de oposição a Getulio Vargas (formado em grande parte por militares) novamente se agruparia formando a UDN, União Democrática Nacional, partido de orientação liberal-conservadora. Com a volta de Getúlio por meio de eleições diretas em 1951, tal grupo continuaria fazendo oposição à sua política, considerada "populista". Tal pressão acabaria por provocar o suicídio do presidente. Este gesto, apesar de frear o movimento das forças conservadoras, não impediu algumas tentativas, em especial a manobra para que o presidente eleito Juscelino Kubitschek não tomasse posse. Uma intervenção de um grupo militar não-ortodoxo garantiria a posse de Kubitschek em 1956 (1956-1961).

Em um salto temporal (1961), temos a figura de Jânio Quadros (janeiro de 1961 a agosto de 1961), eleito presidente e apoiado pela UDN, o novo presidente daria respaldo aos militares em seu governo, mas, o temperamento ímpar do novo presidente, e sua surpreendente renúncia implodiram o projeto conservador que daria uma nova cara ao Brasil e outra vez, as ideias de Vargas estariam representadas por um de seus mais aplicados discípulos, João Goulart (1961-1964), que tinha o talento de atrair a repulsa de todos os movimentos um pouco mais à direita do espectro político. O medo de que Goulart implantasse no Brasil uma república sindicalista com o apoio discreto e sorrateiro do Partido Comunista Brasileiro acabou fazendo com que camadas da sociedade brasileira se voltassem contra o presidente, entendendo que o Brasil caminhava para o caos do socialismo operário e campesino.

Do mesmo modo que acreditavam estarem mantendo a legalidade ao garantir a posse de Juscelino, quase dez anos antes, os militares decidiram entrar em cena novamente. Agora, a deposição do presidente asseguraria a ordem e a legalidade da nação.


O REGIME É ESTABELECIDO - Na noite de 31 de março para 1 de abril de 1964 começa então um período de Regime Militar, ordem, respeito ao país, ao povo e o restabelecimento dos poderes, bem como, os  direitos dos cidadãos e a garantia da moral e bons costumes, eram os objetivos dos militares. Os militares  realizavam um gesto de "reestruturação da nação", um projeto edificante dos militares, mas que encontrou em grupos criminosos e de guerrilheiros, uma oposição insalubre e totalmente voltada para a violência e implantação do comunismo no Brasil. Em defesa da nação a legitima repressão de todas as vertentes criminosas foi colocada em prática, mas infelizmente os atos de covardia destes grupos criminosos, acabaram por vitimar  pessoas em ambos os lados, escrevendo um controverso capitulo na história de nossa nação.

A PERMANÊNCIA DO REGIME - A ideia era de que quando o Marechal Humberto Castelo Branco assumisse o poder, logo o devolveria a um representante civil, garantindo mesmo as eleições previstas para 1965. Castelo Branco (1964-1967) pertencia ao "Grupo de Sorbonne". Logo, porém, o país ainda estava vulnerável e os responsáveis pelos males políticos do país ainda poderiam se levantar contra a nação, então foi decidia a permanência dos militares no poder. Assim, temos a posse de Costa e Silva (1967-1969) como segundo presidente militar. O novo presidente empossado, ao perceber que o país ainda corria sérios riscos, decidiu fechar o Congresso Nacional em 1968, através do Ato Institucional número 5. Costa e Silva morre em pleno mandato, e o poder é entregue a uma Junta formada por três militares, um de cada força.

Emílio Médici (1969-1974), acaba com os movimentos armados da oposição, dando ao país a paz e a ordem. Foi durante o governo Médice que o regime alcançou sua maior popularidade,  sob pleno "Milagre Econômico", em meio à conquista esportiva (futebol) definitiva da Taça Jules Rimet na Copa do México em 1970 .

OS MILITARES SE PREPARAM PARA SAIR DO PODER – O General Ernesto Geisel (1974-1979), prepara a chegada do Regime Democrático, fazendo uma distensão lenta, gradual e segura. Geisel consegue cumprir sua missão, e entrega o poder ao último general da era militar, João Batista Figueiredo (1979-1985) que mesmo enfrentando um período de crise econômica, inicia o último ato que poria fim aos 21 anos do Regime Militar Brasileiro, transferindo o poder a um civil, ainda de forma indireta, mas eleito (A eleição presidencial brasileira de 1985 foi a última ocorrida de forma indireta, por meio de um colégio eleitoral, sob a égide da Constituição de 1967) Tancredo Neves, que morre antes de subir ao poder. Seu vice, José Sarney, acabaria incumbido de guiar o país até as eleições diretas, previstas para 1989.

PERSONALIDADES E EMPRESAS QUE APOIARAM O REGIME MILITAR – Muitas personalidades apoiaram o Regime Militar, Roberto Carlos, Wilson Simonal, Agnaldo Timóteo, Clara Nunes, Wanderley Cardoso e Rosemary. As empresas também queriam ver um Brasil forte e desenvolvido, marcas como a Volkswagen, Chrysler, Ford, General Motors, Toyota, Scania, Rolls-Royce, Mercedes Benz, e também de outros setores, como a Brastemp, a estatal Telesp, a Kodak, a Caterpillar, a Johnson & Johnson, a Petrobras, a Embraer, a Monark e as Organizações Globo, também apoiaram o Regime Militar.

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