Possuir um fragmento da história é algo fascinante para qualquer historiador, mas antes de revelar qual seria esse fragmento da história precisamos relembrar (para quem já visitou o Rio de Janeiro) os 4.790 metros do Elevado da Perimetral, que foi uma paisagem presente no Rio de Janeiro por muito tempo. Logo na primeira semana do mês natalino em 2014, sucumbiriam os últimos dois pilares que resistiam na altura do 1º Distrito Naval, próximo à Praça Mauá. A demolição do Elevado contou com o apoio de 500 funcionários da Concessionária Porto Novo, estes, trabalharam na remoção de 85 mil toneladas de estrutura em concreto, 820 vigas e 135 pilares. Os trabalhos foram divididos em quatro trechos e duas grandes implosões. O árduo trabalho foi fundamental para a construção do novo sistema de mobilidade urbana do Rio para a região central da cidade, a substituição do viaduto representou um marco na revitalização do local. O projeto foi ousado e tinha o objetivo de devolver a população a orla da Baía de Guanabara no Centro a partir da construção de um novo passeio público de 3,5 km entre o Armazém 8 e a Praça XV. Nesses 215 mil m² de área especial para pedestres e ciclistas, foi estabelecida uma linha que uniu prédios de relevância arquitetônica, histórica e cultural. A remoção da Perimetral foi definida como a chave para a transformação da cidade.

COMO OCORREU? - A primeira implosão se deu nos 1.050 metros entre a Avenida Professor Pereira Reis e a Rua Silvino Montenegro, em novembro de 2013. A segunda colocou abaixo 300 metros entre os prédios da Polícia Federal e o 1º Distrito Naval, em abril de 2014. Da Praça Mauá ao III Comar, sendo parte do desmonte feito a frio, sem o uso de explosivos. No último vão da Perimetral, os técnicos adotaram método especial para cortar o concreto. Como os pilares estavam próximos a um pórtico da Marinha e à Baía de Guanabara, em vez de rompedor hidráulico, utilizou-se fio diamantado para evitar queda de fragmentos no mar.

REAPROVEITANDO O ENTULHO – O reaproveitamento das vigas da Perimetral foi uma realidade, o entulho gerado foi encaminhado para outras obras da cidade. Parte das vigas foram utilizada no poço de serviço (método construtivo para passagem de máquinas, homens e materiais na construção de túneis) da Praça Mauá para fazer o Centro de Operações do Túnel Rio 450. Também foram reaproveitados aproximadamente 3 mil metros de entulhos  nos reservatórios de água para contenção de enchentes em construção pela Fundação Rio Águas na Tijuca.

A ARTE DO ENTULHO - O material da remoção também despertou o interesse de artistas plásticos. O Museu de Arte do Rio (MAR) recolheu parafusos e pedras da Perimetral para exposição. Artistas plásticos  reaproveitaram  ferragens para elaborar obras de arte. Os artistas viram nos escombros uma possibilidade artística.


O FRAGMENTO – Foi partindo desta premissa artística e histórica, que a concessionária Porto Novo recolheu algumas partes do Elevado e a transformou em um item de exposição histórica agraciando algumas personalidades brasileiras. Nós conseguimos uma parte da história para o nosso acervo. Hoje no local existem algumas atrações como o Museu do Amanhã.  Um prédio projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, erguido ao lado da Praça Mauá.