No Brasil, tanto Pedro I como Pedro II eram fascinados pelos achados históricos que remetiam as antigas civilizações, sem contar os outros tantos temas científicos que lhes eram caros durante grande parte de suas vidas. Um destes achados fez parte da coleção egípcia do imperador Pedro II, trata-se do esquife e da múmia de SHA-AMUN-EN-SU.

O esquife onde a múmia estava preservada era feito em madeira estucada e policromada, era originário da parte ocidental de Tebas, Egito Antigo e media cerca de 1,58m de altura.

O acervo egípcio do Museu Nacional, que antes do incêndio nos oferecia peças de rara beleza, era o maior da américa latina e provavelmente, o mais antigo das américas sobre o tema. A maior parte dos objetos da coleção que se perdeu no incêndio chegaram ao museu por volta do ano de 1826, quando o italiano Nicolau Fiengo trouxe, de Marselha, uma coleção de antiguidades egípcias provenientes de escavações do famoso explorador italiano, Giovanni Battista Belzoni, que escavou a Necrópole Tebana, atual Luxor, e o Templo de Karnak. Os objetos foram arrematados em um leilão pelo imperador D. Pedro I, que os doou ao então Museu Real, fundado em 1818.

Em 1876, quando de sua segunda visita ao Egito, D. Pedro II foi presenteado pelo Quediva Ismail com o belo esquife da Cantora de Amon, Sha-Amun-En-Su, mantendo-o em seu gabinete particular até a Proclamação da República, em 1889 quando o esquife passou a ser incluído na coleção egípcia do Museu Nacional. Posteriormente, a coleção egípcia foi acrescida de outros objetos. O exame tomográfico realizado na múmia de Sha-Amun-En-Su revelou a presença de amuletos no interior do caixão, entre eles um escaravelho coração.  

O casal imperial D. Pedro II (sentado usando um chapéu branco e barba branca) e Teresa Cristina (segunda mulher sentada da direita para a esquerda),  Foto tirada em 1871, na primeira visita imperial ao Egito, a segunda visita ocorreria em 1876.


Certamente, você não verá mais esta linda peça em exposição, por conta do incêndio que consumiu uma parte importante da história que estava preservada em nosso Museu Nacional. Teremos que nos contentar com os livros, artigos e estudos, mas principalmente com as lembranças daqueles que tiveram o prazer de contemplar o belo museu em seus 200 anos de existência.

Necrópole de Tebas