Alguns falam esta frase, mas nem de longe sabem como ou de onde veio tal expressão. Nosso fato histórico de hoje remonta uma parte do período histórico que dará contexto a expressão erudita de estupidez.

Era o ano de 59 a.C, o poder em Roma estava dividido entre três importantes figuras: Júlio César, Pompeu Magnus e Marco Licinius Crasso. Esta união ficou conhecida como o Primeiro Triunvirato, uma aliança política não oficial onde Juntos, os três dominaram completamente o sistema político romano, mas a aliança não se manteve estável indefinidamente por causa das ambições, egos e ciúmes entre eles. Julio Cesar iniciou sua escalada política como soldado raso, destemido e que galgou postos até se tornar um dos maiores generais da história, enquanto Pompeu Magnus era um general habilidoso, mas muito oportunista. Tanto Julio Cesar quanto Pompeu Magnus foram notáveis enquanto generais, e por suas espadas ampliaram os domínios romanos. Mas nossa história de hoje tem um enfoque especial na figura de Crasso, que também foi um bom general. Crasso começou sua carreira como comandante militar sob o comando de Sula durante a guerra civil. Depois que Sula assumiu a ditadura, Crasso ganhou muito dinheiro por meio de especulação imobiliária, mas sua ambição era se tornar politicamente poderoso em roma, então, seu maior anseio era ser Cônsul da República Romana, pois era o mais alto cargo político da época.

CONSULADO - O consulado era o mais alto posto do cursus honorum, a ordem sequencial dos cargos públicos pelos quais os políticos deveriam passar durante sua carreira.

Crasso precisava de grandes feitos capazes de persuadir o senado romano em seu favor em uma futura eleição para Consul. Sabendo desta necessidade, Crasso foi ao campo de batalha ganhando muita proeminência depois de sua vitória sobre a revolta dos escravos liderado por Espártaco, famoso líder dos revoltosos. Crasso ganhou a batalha, mas não colheu os frutos. Ao saber do feito de Crasso, Pompeu reuniu suas legiões e ordenou que fossem em busca dos sobrevientes revoltosos, ordenando que todos deveriam ser devidamente executados. Crasso ainda comemorava seu feito crucificando os revoltosos aprisionados de 30 em 30 metros por mais de 100 quilômetros, quando Pompeu adentrou aos portões de Roma reivindicando para si a vitória na guerra civil. Quando Crasso chegou em Roma, Pompeu já era aclamado pelo feito. Nascia ali uma grande rivalidade de cunho posteriormente político, pois os dois almejavam o mesmo posto de Cônsul da República Romana. Crasso, embora tenha tido esta importante vitória em batalha, era mais conhecido por sua riqueza do que por seu talento militar. Crasso e Pompeu acabaram unindo forças convencidos por Júlio César, que se tornara Cônsul como parte da estratégia do Triunvirato. Júlio César, não comandaria Roma por muito tempo, pois não era bem visto pelo senado ao defender exclusivamente os interesses de Crasso e Pompeu. O tempo passa e Júlio César decide que para ser novamente Cônsul de Roma teria que realizar um grande feito militar para a época, conquistar a Gália (França), feito que conseguido com maestria e coragem, enquanto Júlio César ganhava a admiração do povo em Roma, Pompeu não mais batalhava e ainda colhia frutos de suas alianças e vitorias em campanhas militares, onde Dominou a Hispânia (Península Ibérica) e Jerusalém, além de outras importantes partes da Ásia e África.

Crasso observava a nova ascensão de Júlio César e o currículo vitorioso de Pompeu, e se sentiu abaixo de seus concorrentes ao consulado, quando perturbado por sua ideia fixa de poder extremo, resolveu sair em campanha na tentativa de conquistar os Partos.

PARTOS - Povo persa cujo império ocupava, na época, boa parte do Oriente Médio - Irã, Iraque, Armênia e outros territórios.

À frente de sete legiões, ou 50 mil soldados, confiava em sua notável superioridade numérica de tropas. Crasso, que já não era tão destacado como general, abandonou as táticas militares romanas e tentou atacar de forma simples e desordenada. Na ânsia pelo confronto que lhe daria fama e glória tentou chegar o mais rápido possível ao inimigo, cortando caminho por um vale estreito e de pouca visibilidade. Os inimigos já espreitavam o deslocamento das legiões de Crasso, e nas saídas do vale, então, ocupadas pelos partos, o exército romano foi dizimado com extrema facilidade e quase todos os 50 mil morreram. Crasso foi aprisionado e teve como punição por sua ganancia, uma das mortes mais impressionantes da história, pois os Partos derreteram ouro em uma forja e ainda em estado líquido o metal foi despejado dentro da boca de Crasso. O ouro derretido e engolido por Crasso em sua morte, foi o pagamento dos Partos por sua ganancia.

A última campanha feita por Crasso, virou sinônimo de estupidez em várias partes do mundo. a expressão "erro crasso" também tem como parente próximas outras expressões, como "calcanhar de aquiles" ou "vitória de pirro", ambas remetem a fatos históricos ou mitológicos da antiguidade. Essas expressões se disseminaram principalmente no século XIX e no início do século passado, uma vez que, o estudo da mitologia grega e a história romana era algo que interessava muito aos estudiosos da época, e esses acontecimentos acabavam se transformando em sinônimos e expressões utilizadas por quem queria demonstrar uma certa erudição em suas palavras.



Fontes:
The Frankish Kingdom. 2001. The Encyclopedia of World History
Wirszubzki, Ch. Libertas as a Political Idea at Rome during the Late Republic and Early Principate. Reprint. Cambridge University Press, 1960, p. 15.
Gruen, Last Generation of the Roman Republic, 509
Roldán Hervás, José Manuel (1987). La República Romana (em espanhol). I. Cátedra, Madrid: Historia de Roma. p. 625–643
Roldán Hervás, José Manuel (1989). El Imperio Romano (Siglos I–III) (em espanhol). II. Cátedra, Madrid: Historia de Roma. p. 9–37