Alguns personagens da história do Brasil estão atolados em controvérsias e eternas discussões, enquanto outros parecem nem mesmo existir para a maioria de nós. A postagem de hoje foi escrita para oferecer uma visão e um panorama sobre a trajetória de D. João III, um monarca que foi rei de Portugal por mais de 30 anos (1521 - 1557). Um homem de inquestionável bondade, historiadores descrevem ainda que ele era propositadamente lento em suas tomadas de decisões, sem pressa e muito cauteloso no tocante as mudanças mais profundas.

Sua dissimulação no relacionamento com os súditos e também com outras nações, fizeram deste monarca um homem altamente escorregadio e de altíssima articulação política. Ele era persistente, e muitas vezes obstinado em seus objetivos, mas nada era capaz de tirá-lo do seu eixo de prudência e cautela.

Em uma sociedade global onde o deslumbre pelo luxo e a ostentação eram marcas registradas de muitos reinos em diversos países, D. João III seguia na contramão de outros governantes, pois era plenamente consciente de sua função de rei. Seu zelo pelo reino e sua autoridade eram marcantes e contrastavam com sua extrema piedade, retratada por muitos historiadores como algo fora dos padrões da época. D. João III foi um homem capaz de se divertir, mesmo com tamanha responsabilidade em seus ombros e seu senso de humor era algo admirável. Outra característica que contrastava com sua infelicidade vivida em sua vida privada.

Quando falamos em infelicidade, colocamos diante de vocês as duras perdas sofridas por ele. D. João viu morrer seus dez filhos, também teve que enfrentar a perda de seis dos oito irmãos com quem conviveu. No entanto, um dos seus filhos, o príncipe D. João, viveu tempo suficiente para se casar e dar à luz um filho, o príncipe D. João veio a falecer quando a sua esposa estava prestes a dar à luz ao menino e herdeiro D. Sebastião, que nasceu em janeiro de 1554. A vida foi demasiadamente dura para essa emblemática figura, mas as coisas ainda iriam piorar.

Como governante coube ao rei D.João III, gerir várias crises de altíssima relevância em sua época. Ele viveu algumas crises em sua gestão:

- Crise financeira
- A ameaça protestante
- O perigo turco
- A forte concorrência francesa e inglesa no império
- As crises no estado da Índia

Muitas outras crises foram vividas por D. João III em seu reinado. A forma como agiu em todas elas aqui relatadas ou não, sempre tiveram como base um grande espírito de sensatez e de realismo que, entre outras coisas, se traduziu na aposta certeira no Brasil, que mais tarde se tornaria o elemento fundamental do império português. O Brasil foi desenvolvido inicialmente pela ótica de D.João III, que soube perceber o papel que o rico território teria nos dois séculos e meio que estariam por vir.

Portugal teve outros líderes tão capacitados quanto D. João III. É o caso de D. João II. Dono de uma extraordinária e inigualável visão política e geo-estratégica. Mas D. João III não pode ser esquecido em nossa história, pois ele é o verdadeiro 'fundador' do Brasil."

Lembram-se do neto de D. João III? Assim, que o monarca faleceu, em 1557, o seu sucessor ao trono de Portugal veio a ser o seu neto D. Sebastião, com apenas três anos de idade.

Fontes pesquisadas:
- D. João III - Paulo Drummond Braga, Hugin Editores Ltda. 2002