Istvanka "Istvan" Reiner era filho de judeus, Livia Vermes e Bela Reiner. Bela converteu-se ao protestantismo e seu filho Istvan nunca foi circuncidado pelo costume judaico, já que ela não era mais judia. Independentemente disso, Istvan e seus pais foram considerados judeus e acabaram sendo colocados no gueto de Miskolc (Hungria). Não demorou muito até serem enviados para os campos de concentração em Auschwitz. Uma vez lá, Istvan e sua mãe foram separados e ele acabou curiosamente ficando sob os cuidados de sua avó, mesmo no campo de concentração. Ele não estava lá a muito tempo quando ele e sua avó encontraram o mesmo destino na câmara de gás. 11.000 pessoas de Miskolc foram mortas nos campos de concentração junto com Istvan. Surpreendentemente, sua mãe e seu irmão sobreviveram à guerra e migraram para os Estados Unidos em 1947.

Seria somente mais uma história entre as milhares que pude ler, escrever e pesquisar, mas esta profunda imagem, de um sorriso espontâneo mesmo em condições tão dramáticas, me fizeram mergulhar em pensamentos. Eu me pergunto que tipo de criança ele era! Tímido e quieto ou turbulento e enérgico? Eu me pergunto quantos anos ele tinha quando aprendeu a andar, qual foi sua primeira palavra, se ele tinha um brinquedo favorito. Eu me pergunto se ele tinha amigos e se algum deles sobreviveu? Eu me pergunto se ele teve algum tipo de infância, se ele já viu o mar, aprendeu o alfabeto ou pintou uma bela imagem.

Eu me pergunto que tipo de homem ele teria sido, o que ele teria acreditado e como ele teria vivido. Eu me pergunto se ele teria se tornado agricultor, carteiro, médico, militar ou um pastor. Ele poderia ter mudado a maneira como entendemos o universo, ou talvez ele nunca tenha lido um livro. Eu me pergunto como ele ficaria se tivesse sobrevivido e ainda estivesse vivo, e que tipo de vida seus netos teriam vivido.

Eu me pergunto o quanto ele entendeu, se ele sofreu e o que ele estava pensando no final. Dentro daquela câmara de gás. Será que ele tinha ideia do que estaria para acontecer?  Espero que alguém o tenha segurado no colo ou pelas mãos e tenha dito que tudo ficaria bem. Os nazistas roubaram a vida, o futuro e o potencial de Istvan. Eles assassinaram este menino, assim como eles assassinaram um milhão e meio de outras crianças. Istvan tinha um nome, um rosto e um belo sorriso, temos o dever de lembrar disso para que possamos lutar contra ideias tão obscuros.

O mundo faz vítimas todos os dias por conta de perseguições. Muitos são os mortos por causa de sua etnia, profissão, nacionalidade, religião, ideologia política ou sexualidade. Será que estamos mandando milhares de pessoas para a câmara de gás do preconceito todos os dias? Será que estamos fuzilando as pessoas com nosso discurso de ódio? Será que estamos abandonando as pessoas por suas deficiências ou doenças? Se podemos ser perversos com estas pessoas, o que nos diferencia dos algozes do pequeno Istvan?

O sorriso do pequeno Istvan mexeu comigo, me fez ver além...  Olhe para este sorriso minutos antes de morrer. Todos temos o direito de viver, todos temos famílias, esperanças e sonhos, medos e preocupações, mas todos nós estamos sujeitos ao ódio brutal de outras pessoas. Em minha vida, tenho me comprometido a aprender sobre a diferença entre as pessoas, tento ser melhor todos os dias, quero ensinar as futuras gerações sobre o amor e a tolerância. Olho mais uma vez para este sorriso e digo! Está em nossas mãos a força para impedir que isso aconteça novamente.

O ano da morte de Istvan - 1943.