Eu sou vidrado pela cultura sul-mato-grossense e o acolhimento gentil daquele povo. Em minhas andanças pude visitar 54 municípios de Mato Grosso do Sul, andei de Chapadão do Sul até Corumbá, mais conhecida como cidade branca e ponto final da comitiva esperança na década de 1980. Lá me apaixonei pelo  tereré gelado e as rodas de proza ao longo do dia, terra quase sempre quente como o Saara. Ainda posso sentir o sabor da coxinha com massa de mandioca que comprava na Cantina do Paulão em Dourados, não poderia deixar de fora a deliciosa linguiça que só encontramos em Maracaju... Minha memoria me leva até Jardim e Bonito, lugares onde tomei suco e comi um fruto chamado “guavira” cujo sabor você terá que provar para perceber o quanto é deliciosa... Um pequeno restaurante em Culturama, um almoço em Aparecida do Tabuado, uma tarde em Ponta Porã, uma passada pelo assentamento Itamaraty, um pulinho no Paraguay e na Bolívia, Mundo Novo, Itaquiraí, as aldeias de Itaporã e o belo voo do Tuiuiu em terras pantaneiras. Campo Grande? Não tenho palavras! Foi lar do grande escritor e poeta Manuel de Barros, que tanto admiro! Hoje sou mais sul-mato-grossense do que “candango”. (O fato de ser candango já é outra história). 
Minhas viagens pelo estado, serviram para aguçar esta e muitas outras curiosidades.  Dentre tantas histórias vividas por lá, separei um mistério que me intrigou durante anos! Um município do estado, apelidado de “favo de mel” por seu povo, procurei por abelhas, mel ou algum derivado, consultei histórias, estórias e lendas, procurei informações oficiais e muitas outras fontes, mas ninguém era capaz de me explicar o motivo. Lá não se pratica a apicultura ou qualquer outra atividade do gênero, pois esta era minha primeira suspeita! Então, porque a alcunha de “favo de mel”? Isso me intrigava... Fui pesquisar e encontrar uma solução para um mistério que nem no site da prefeitura, câmara de vereadores ou de qualquer outra fonte oficial do município teria a solução para matar minha curiosidade!
O município chama-se Fátima do Sul e originou-se a partir de um Decreto-Lei do Presidente Getúlio Vargas em 1943, que instituía um sistema de colonização de uma grande área de terras, dividindo-as entre colonos em lotes de 30 hectares. Na esperança de dias melhores, inúmeros brasileiros chegaram na região em busca de uma gleba de terra para plantar. Os lotes demarcados no mapa da Colônia Federal se assemelham a um favo produzido pela colmeia, alí estava a solução do mistério e motivo pelo qual Fátima do Sul é conhecida. Em um simples decreto presidencial! O legado desta alcunha é impressionante, pois mesmo sem produzir uma gota de mel a cidade ficou conhecida como favo de mel e o brasão em suas alegorias mostram uma divisão em favos em alusão ao programa federal que deu vida ao município.
Atualizem as informações oficiais do município e acrescentem esta informação tão importante e histórica desta cidade tão bela.